sexta-feira, julho 01, 2005

como tudo na vida

acabei de assistir um filme do woody allen - toda vez q assisto um filme dele, eu digo "aquele que ele faz o papel dele mesmo" - mas o forte de seus filmes eh justamente esse, ele ser ele mesmo.
"igual a tudo na vida" - like anything else, no original - eh uma comedia muito espirituosa, engracadissima, na verdade, de relacoes confusas e situacoes beirando o absurdo, mas com personagens tao verossimeis que passam a impressao de que qualquer uma daquelas coisas poderia estar acontendo com a gente.
dialogos e elocubracoes sobre as mais questoes mais dispares, encontros e desencontros das vidas de pessoas que muito pouco tem em comum e ainda assim se relacionam umas com as outras sem a harmonia ficcional da maioria dos filmes que assitimos; allen expoe o ridiculo das relacoes humanas e assim mostrou-me como somos tambem inteiramente vulneraveis a isso: a sermos ridiculos.
jah dizia fernando pessoa que toda carta de amor eh ridicula; nao poderia concordar mais com essa afirmacao, e iria ateh mais longe: com o distanciamento correto, todas as nossas acoes, quando tratam de ser romanticas e apaixonadas, sao verdadeiramente ridiculas.
olhando de fora ou depois de passado certo tempo, vemos que grande parte do drama - sim, porque amar eh sempre muito dramatico - existiu somente em nossas cabecas e quando notamos que sobrevivemos ilesos a quedas que achavamos fatais, levantando, cada um no seu ritmo pessoal, machucados ou nem tanto, a maioria de nos simplesmente ri; rimos dos atos por vezes desenfreados, pelo sofrimento intenso, pelas coisas que pensavamos ser catastrofes tenebrosas e que na verdade, no fundo sabiamos ser de praxe em qualquer relacionamento.
quem nunca se sentiu ridiculo?!
mas, como bem diz o taxista do filme: eh igual a tudo na vida...

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Querida,
ainda não vi esse filme, mas como o tema favorito do Allen são as relações humanas, esse deve ser um deles. Os temas, ou melhor o tema é sempre o mesmo, o que varia em seus filmes é abordagem, e ele como nenhum na atualidade pra desenvolver isso! Como ele mostra o quanto somos vulneráveis aos relacionamentos e como isso é rídiculo! Você tem razão, Fernando Pessoa tem razão, as cartas de amor são mesmo ridículas, mas não é igual a tudo na vida?
Beijo
Cris

1 de julho de 2005 às 23:34  
Anonymous Anônimo said...

taí a dica da boa...em última mão vou ver o woody é foda!1
pena ser tão pervertido mas ele é genial..... !bjocas saudosos!!!!!!!!!!!!!!
angeliulson

1 de julho de 2005 às 23:38  

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