quarta-feira, janeiro 19, 2005
terra a vista
finalmente se aproxima o dia mais aguardado por todos q trabalham embarcados...
o dia de ir embora!!!
o ultimo dia a bordo eh o q mais demora a passar, jah sentimos q a misssao foi cumprida e nosso merecido descanso nos aguarda de braços abertos;
qdo desço do helicoptero, a minha vontade eh sempre de sair correndo; nao faço, jah me acham meio loca, nao preciso de mais essa açao desenfreada confirmando as suspeitas.
mas pisar em terra firme e ver que as pessoas a sua volta nao estam usando o macacao de trabalho eh realmente emocianante!!!
aproveitar a quinzena de folga, q passa muito mais rapidamente q a quinzena de trabalho, eh a maior preocupacao; ver os amigos, passar tempo com a familia, pagar as contas em dia (nao acredito no debito automatico; burrice ou prevencao acertada?) e varias outras coisas legais e nem tanto q temos e/ou queremos fazer.
uma quinzena de 14 dias... isso deveria ter outro nome, mas eh melhor eu nao dizer mais nada pq senao, senao eh capaz de alguem resolver tranformar a minha quinzena em uma quinzena de fato...
entao, eh isso, deixo essa vida de nerd embarcada ateh o dia 3 de fev, vespera de carnaval, isso
vai dar altos devaneios na minha cabecinha...
fiquem bem, eu ficarei certamente!!!
terça-feira, janeiro 18, 2005
passatempos
eu queria falar disso ontem, mas estava mto pouco inspirada...
a tal da inspiracao nao bateu, entao, como disse uma amiga, eu bati nela!
nao me sinto especialmente inspirada hj, mas vou tentar.
o tempo passa de formas diferentes em diferentes lugares, de acordo com diversas variantes, dependendo do estado de espirito e da estaçao do ano; mas aqui, o tempo dah algumas voltas bem estranhas.
como passar o tempo se eh ele que parece passar pela gente ?
como podem dizer do tempo que ele eh logico e linear?
as vezes nos abandona, nos esquece, as vezes nos agarra numa corrida louca; nossas medidas para ele sao por vezes longas demais, outras vezes infimas para tudo q deveria acontecer...
a bordo, precisamos de passatempos; passar o tempo que nao quer passar eh um desafio diario, ler livros, ouvir musica, fazer amigos entre o povo por aqui sao as opcoes mais a mao.
fico feliz de ser uma leitora voraz, uma ouvinte ecletica e de ter recentemente feito um bom amigo por aqui; carinha legal, q tambem estava precisando de uma troca de ideias interessantes ou soh de ouvir meus devaneios, tao singelamente descritos aqui... acho q ainda nao exploramos todas as formas de passar o tempo e talvez nem venhamos a fazer isso... como jah dizia, porem, muito sabiamente meu tio bob " time will tell"...
aproveitando a referencia musical, termino com um trecho (alguem sabe um sinonimo pra essa palavrinha feia? trecho nao deveria designar isso, algumas palavras realmente nao combinam com o significado que tem, outras sao feias simplesmente...)
anayway, um pedaço (isso!!! pedaço eh menos feio q trecho, embora nao chegue a ser uma palavra bonita), palavras bonitas e inspiradas vem a seguir, nesse samba do povo lah da portela, que entendem bem de beleza, de inspiracao e da passagem do tempo...
"o dia se renova todo dia,
eu envelheço, cada dia e cada mes;
o mundo passa por mim todos os dias,
enquanto eu passo pelo mundo uma vez"
segunda-feira, janeiro 17, 2005
domingo, janeiro 16, 2005
"Nós não somos donos do frescor do ar ou o brilho da água"
Nós não somos donos do frescor do ar ou o brilho da água, como podeis querer comprá-los de nós? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho.
Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.
O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem dos charcos à noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume dos pinhos.
Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.
Assim consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, farei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo, que nós caçamos apenas para nos mantermos vivos.
Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo isso pode cada vez mais afetar os homens. Tudo está encaminhado.
O homem não tece a teia da vida: É antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.
Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha e com quem conversa como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo, sejamos todos irmãos.
Nós o veremos. De uma coisa sabemos, é que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: Nosso Deus é o mesmo deus.
Esta terra é querida dele, e ofender a terra é insultar o seu criador. Os brancos também passarão talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos próprios excrementos.
Mas no nosso parecer, brilhareis alto, iluminado pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes.
Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. O fim do viver e o início do sobreviver."
sexta-feira, janeiro 14, 2005
das restricoes, limitacoes e proibicoes
nao pode!
muita coisa nao pode, talvez ateh coisa demais...
as restricoes comecam pelo obvio, o confinamento restringe fisicamente, o sentimento de impotencia cresce e aparece qdo dependemos de alguem em terra firme para fazer algo que fariamos com facilidade; deixar na mao dos outros nem sempre eh tao confiavel qto imaginamos. restricao fisica tambem dah uma sensacao de aprisionamento; se algo foi deixado pela metade, se tivemos alguma discussao, isso se redimensiona na imensidao do mar pelo qual estamos cercados...
duas semanas eh muito tempo para deixar algumas coisas passarem, jah para outras seria talvez melhor se ficassemos aqui um mes ou dois.
por outro lado, se saimos de casa bem, podemos ter a paz de espirito para apreciar a paisagem com uma calma e um silencio as vezes raro em terra. o sol e a lua sao astros no ceu que nos presentia com imagens poderosas e unicas; sentir o vento forte e limpo, olhar para as aguas cheias de peixes que parecem sentir-se observados e por isso dançam nos distanciam das tantas outras limitacoes com as quais temos que conviver.
limitacao da privacidade... quem quer conforto fica em casa, por duas vezes eu ouvi isso hoje, aqui nao eh hotel; isso justifica a invasao deliberada dos nossos espacos com tanto esforço demarcados?
nao posso realmente escolher qual a proibicao que mais imcomoda; a porpria natureza da uma proibicao eh incomoda.
proibicao de sexo; muito triste conviver em um ambiente onde nao podemos expressar desejo e carinho a ponto de se realizarem as acoes que deles resultam. camas que amanhecem "grudadas" e um canal de filmes "educativos" nao aliviam a sensacao de restricao que por vezes se torna quase insuportavel.
proibicao de aditivos, voces sabem do q estou falando, certo?! aih estah a proibicao que gerou o termo spa da mente... sempre alertas, sempre caretas...
gostaria mesmo q as as pessoas pudessem ser mais livres, essa porem eh uma transformacao que deve comecar internamente, nao se pode simplesmente retirar todos os limites; as mentes tem q ser livres para q corpos possam entao agir livremente. comportar-se com liberdade eh algo corajoso e por isso, muitas vezes, mal interpretado.
quinta-feira, janeiro 13, 2005
comida
quarta-feira, janeiro 12, 2005
spa da mente
Ha seis meses eu comecei a trabalhar aqui no navio - DEEPWATER FRONTIER NS-22 - e desde entao as pessoas me perguntam muito sobre a vida por aqui.
eh dificil explicar, apesar de todas as descricoes que eu faço e de todas as fotos e tudo o mais, ninguem que nunca embarcou entende realmente como eh que o tempo, o trabalho, a vida se passam nessa pequena cidade no meio de tanto mar.
fiquei sinceramente feliz de ter indicado 3 grandes amigas para trabalhar em outras unidades e ter com quem dividir experiencias, historias e fofocas (que consistem na maior parte da atividade de uma plataforma). te-las trabalhando assim trouxe tambem algumas desvantagens, como por exemplo ter apenas alguns dias com cada uma delas em terra, mas escalas de embarque podem sempre mudar...
tambem fiquei muito satisfeita de ter levado 2 caras aqui do navio para dar uma volta no rio, pois chegamos lah as 2 da tarde e eles iriam ficar no aoeroporto ateh 11 da noite, coitados... conheceram minha casa, minha familia, minha praia; foi uma breve aproximacao de dois mundo tao distintos dos quais soh eu faço parte.
como explicar o que se passa por aqui?
eu costumo dizer que eh um pouco como um spa da mente, nao temos com o que nos entorpecer, tendo que manter alertas os sentidos, mesmo contra a vontade.
eh tambem um pouco big brother, convivencia forçada com gente que voce pode ou nao gostar; lidar com confinamento tem sido uma experiencia unica, principalmente se tratando de um ambiente onde 95% da populacao eh do sexo oposto; carater e personalidade sao importantissimos para demarcar seu espaco privado onde quase todos os espacos sao destinados deliberadamente ou nao a convivencia publica.
convivencia tambem eh assunto que nao pode se deixar de tratar, pois diplomacia e um sorriso no rosto sempre ajudam; no final das contas, eh claro que fazemos amigos, pessoas das mais diferentes estradas da vida, com as quais eu provavelmente nunca iria cruzar se nao me tivesse sido dada a oportunidade de embarcar.
o mais incrivel aqui sem duvida sao as pessoas; maquinas carissimas, robos submarinos, guindastes enormes, subtancias quimicas radioativas, computadores e equipamentos de ultima geracao nao sao nada quando voltamos o olhar para toda a populacao necessaria para operar e fazer tudo funcionar nem sempre nos conformes, mas enfim, assim sao as pessoas, nem sempre nos conformes.
segunda-feira, janeiro 10, 2005
incendio na plataforma
uma hora da manha, tentando dormir, ouvindo a respiracao suave da minha roomate na cama de baixo, jah sem paciencia para ler, na escuridao total do camarote apagado, estava eu, quando ouço o alarme de incendio.
em questao de minutos, estao todos se dirigindo ao ponto de encontro, com o maximo do EPI que conseguiram vestir (alguns sem botas, outros com uma parte do pijama ou o macacao pelo avesso) caras amassadas e apreensivas ouvindo pela boca-de-ferro o capitao dizer q todos devem permanecer em prontidao para abandono...
okay, o fogo foi controlado em menos de meia hora, e nao creio q corremos em momento algum o risco de termos q abandonar o navio no meio da madrugada.
essa nao eh aprimeira vez q escuto alarmes reais no navio; nao decidi ainda se sou burra ou destemida de realmente nao sentir medo quando isso acontece.
diante de uma situacao de emergencia a ausencia dessa percepcao pode nos levar a fazer coisas muito estupidas. no entanto, a primeira coisa q penso sempre eh: nao vou morrer agora, entao, calma...
vi em muitos rostos a tensao bem marcada, em gente com anos de estrada; devem ser os mesmos q se benzem e seguram medalhinhas durante o voo de helicoptero q nos traz a bordo...
quer coisa mais legal que andar de helicoptero??!!
quantas pessoas vc conhece q podem dizer que vao para o trabalho assim?
onibus? metro? carro? sei, sei, eu vou de helicoptero, nao deixando nada a dever para xuxa...
se bem que a xuxa chegava no show de espaconave; okay, a xuxa ganha.
enfim, entre mortos e feridos, salvaram-se todos e como disse o capitao no anuncio de all clear:
"you may all go about your business now"
esse segundo post muda radicalmente de tom do primeiro, que, relendo mais cedo tive vontade de apagar; fazer isso, no entanto, seria negar o contato tao raro que tenho com essa minha parte mais triste, que emerge tao raramente e se esconde tao profundamente a ponto de eu jah nem lembrar o que me acometeu...
domingo, janeiro 09, 2005
primeiro post
blogs sao terapeuticos, foi isso q me disseram ainda agora...
acho bom serem mesmo pq minha pobre cabecinha estah a ponto de estourar dos muitos bichos q habitam nela; o pior e mais recorrente sem duvida eh a tpm, q aumenta a sensacao incomoda de todos os bichos feios q me assustam tanto...
a impresao q eu tenho eh quem tem uma festa rolando no meu corpo e eu nao fui convidada; empresto a casa e fazem a festa, quebram o sofa, vomitam no chao e roubam os cd's, o que sobra sou eu, com um mau-humor latente e as vezes uma melancolia q realmente nao combina comigo...
eu demorei para descobrir q essa melancolia na verdade eh uma parte com a qual eu raramente me permito um contato mais profundo, nao gosto de sentir aperto no peito nem noh na garganta, mas creio q perco boa parte das sensacoes q a vida proporciona por esse afastamento.
quem me conhece sabe bem que eu sou uma pessoa feliz e tal, mas isso nao eh tudo; muito engracado isso, de ficar triste por sentir falta da tristeza na sua vida.
a minha felicidade talvez seja apenas o verniz com o qual esta revestida a couraça de cinismo q eu vesti a um certo tempo; diversao e diversao, sem compromisso e sem desilusao, mas serah mesmo assim? nao estamos livres de sofrer pq sofremos por dentro onde a couraça envirnizada com tanto cuidado nao nos protege, nada nos protege de nos mesmos.









