quarta-feira, fevereiro 16, 2005

ps basico

depois de tudo pronto pra ser testada ateh por comite olimpico, preparada piscologicamente depois de ter relaxado um pouco com o meu novo passatempo a bordo, quando finalmente fui para o tal exame, o dick-watcher me recebe assim:
eu estava te procurando mesmo, tenho uma pessima noticia para voce...
e eu, jah pensando, meu deus, me flagraram sem o teste, saiu a porra todo pelos meus poros...
ele continua, alheio ao meu olhar amedrontado, ou talvez por isso, a me falar com um jeito que, eu podia jurar que tinha algo de sarcasmo, voce infelizmente nao vai poder fazer o teste pois acabaram os kits coletores...
!!!!!!!!!
esse foi mais um daqueles momentos em q eu penso (espaço para varios palavroes) soh comigo acontecem essas coisas; tive que juntar todas as minhas forças para nao gritar e pular de felicidade, para nao abracar o dick-watcher bem apertado, para nao agradecer a todos os deuses que devem me amar na frente dele, para manter uma cara quase indiferente, e com todo o cinismo possivel, ainda conseguir dizer, ah, que pena, nao vai ter problema?
hahhahahahahahahhahahahahahahahahhahahahahahahahhahahahahahaha
aparentemente nao vai ter problema nenhum, e fico eu aqui com mais uma historia inacreditavel para contar, porque afinal, o que eh a vida se nao um emaranhado de boas historias vividas para contar?
fiquem bem, eu certamente ficarei!
certamente, mas soh depois de passar o embrulho no estomago do vinagre tomado a toa...

xixi no copinho

hoje eh, mais uma vez, meu ultimo dia a bordo e eu normalmente estaria escrevendo sobre a felicidade de estar, a cada minuto que passa, mais proxima de terra firme, da minha casa, da minha vida - que fica on hold enquanto estou aqui - encerrando assim mais uma temporada de devaneios.
mas hoje nao; nao, porque antes de pensar em qualquer outra coisa, ocupa a minha cabeça um desses bichinhos feios que volta e meia me assusta; e esse tem nome e sobre nome:
exame anti-dopping...
jah sabia que algum dia iria ter que passar por isso aqui dentro, mas o dia chegar de fato eh algo para o qual realmente nao estava preparada.
entao, os preparativos em cima da hora comecam, misturados com uma tensao que pairou sobre a minha cabeca o dia todo. em fato inedito na minha vida, e certamente na vida de muitos, tomei uma xicara de vinagre; os arrepios e ansias que seguiram tambem foram ineditos e, espero, unicos. a quantidade de agua que ingeri hoje foi recorde, desisti de contar na quarta garrafa e o volume de xixi daria para encher copinhos para o navio inteiro - nao que alguem fosse aceitar...
a tensao aumentou ao longo do dia, todos falando do tal exame e a pergunta sempre inevitavel:
e aih, voce jah foi?
nao fui ainda, mas nao estou sozinha, ouvi um anuncio na boca-de-ferro (sistema de anuncios publicos, para os desavisados) chamando a lista de pessoas que ainda nao tinha comparecido ao hospital para o exame; quando pararam de chamar e meu nome nao tinha sido lido, achei por um momento que, por esquecimento, tivesse ficado livre, mas, depois de uma pausa dramatica, Natascha Otoya, assim, nome e sobrenome, em alto e bom som, e separado dos demais para todos saberem que a teacher estah a se esquivar de fazer xixi no copinho.
mas tomando coragem e dominando minha absoluta discordia com tal procedimento, fui ateh o hostipal, com total intensao de participar genuinamente do processo, e entao, como que sabendo do meu estado de espirito, o testador, ou dick-watcher, como ouvi o chamarem, me pede com a maior singeleza que eu volte mais tarde! mais tarde??!!
voltarei certamente, sinto nesse momento a bexiga cheia e a cabeca jah cansada desse dia tenso e decido que agora eh a hora!
me desejem sorte e ateh a proxima...

terça-feira, fevereiro 15, 2005

sono & sonho

dormi muito bem noite passada; tao bem que, quando acordei, por um breve instante cheguei a ter a nitida sensacao de estar em casa; acordando para um dia de lazer sem compromisso, um dia de praia, de cerveja, de compras, de rua, de gente...
mas foi rapida a volta a realidade, e tendo o que fazer, fui acordando e acordada assim pela metade, ainda pensando no sonho que me fez ir tao longe, segui com a minha rotina.
sono e sonhos, partes importantes e essenciais da minha vida, em terra ou no mar; gosto muito de sonhar e de acordar lembrando dos sonhos extraordinarios, lugares idilicos, pessoas bizarras, de sonho mesmo, personagens que volta e meia me visitam e soh lah podem existir. tenho varios sonhos recorrentes, e varios lugares que, quando eu menos espero, estou visitando novamente. sao memorias que considero quase tao reais como as vividas em vigilia.
o sonho e a vigilia, a extensao de um e do outro, as memorias, os limites e fronteiras, isso tudo tem preocupado muitos pensadores ao longo da historia e se, nao me preocupam propriamente, me fazem imaginar qual serah a real validade de um sonho na nossa vida cotidiana....
eu voo, eu sei disso, voar eh uma memoria refulgente que tenho de diversas vezes ter voado; com asas, com os bracos abertos, como um peixe que nada e deve mesmo imaginar que voa;
o mar eh o ceu dos peixes, isso nao sou quem digo, quem disse foi saramago, que de sonhos e idilios sabe melhor que eu.
tenho sonhado com compras - certo, digam o que quiserem, problematica, compulsiva, viciada - tudo isso pode ser verdade, mas no meu sonho as compras sao divertidas, assim como em vigilia, com a simples diferenca que gasto a vontade no sonho, como gasto acordada, mas nao se fazem reais as consequencias do emprobecimento imediato da minha conta bancaria, diretamente proporcional ao enorme prazer de adquirir coisas novas, lindas e interessantes; uteis nem sempre, mas se sao belas, jah bastam; a ulitidade da beleza eh justamente ser bela, nao se faz ultilitario que se aprecia por prazer.
de sonhos poderia descorrer durante longo tempo, viajando e voando, indo e voltando, dando voltas, mas, de certo, assim, faltaria mesmo o tempo de sonhar.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

passei o dia na duvida sobre o que escrever; acho que ateh sei porque...
fiquei sabendo que eh possivel enviar uma materia para o jornal da transocean; bom, nunca escrevi nada assim, e ficaria feliz de ter algo meu publicado; coversei entao com um cara que, sem querer ser chato, mas jah sendo - eh daqueles que conseguem sem fazer esforco - comecou a sugerir pautas; escreve sobre seus alunos, escreve sobre a importancia de ter uma professora bordo, ou sobre a melhora na comunicacao desde que isso foi implantado...
sim, coisas sobre as quais eu adoraria escrever, mas soh de ouvir a sugestao jah me cerca por todos os lados um bloqueio contra o qual nem tentei lutar...
depois a duvida mudou um pouco, se nao se sabe sobre o que escrever, escreve-se mesmo assim?


eu e o guindaste ao fundo Posted by Hello

domingo, fevereiro 13, 2005

a minha maquina favorita

120 pehs de lança com uma bola de ferro na ponta, que assim se chama apesar de nao ser propriamente uma bola; dois lances de escada, pelos quais temos que seguir agarrados a um cinto protetor; diversos controles, buzinas, alarmes, apitos, camera, joysticks, balança; nunca pode deixar de se verificar o nivel de oleo e de agua no motor; nunca deve ser desligar sem esperar esfriar a temperatura lah de dentro, do motor naturalmente.
esse eh o guindaste, a maquina mais legal que tem por aqui, nesse navio que para navegar nao serve...
a plataforma, com suas cadeiras ciberneticas e colunas de alguns milhares de metros perfurando o fundo do mar nao me atraem tanto quanto o guindaste, que lah de cima, numa cabine giratoria, dah uma sensacao de poder, quando levantamos, com um movimento leve de maos, o peso de algumas toneladas.
tenho q admitir que ha algo de falico na proria forma e terminologia do guindaste- talvez isso seja apenas mais um motivo para essa atracao que me acomete desde que soube que, com uma conversa amigavel, me deixariam dirigir, pilotar, ou para ser mais correta nos termos, operar o guindaste.
ontem, mais uma vez, fui ateh lah, nessa ida contei com um professor diferente, nem melhor nem pior do que o anterior, apenas completamente diferente; dois profissionais que encaram sua atividade do pontos de vista quase opostos, adrenalina para um, serenidade para o outro; mas a diversidade eh o que faz do mundo esse lugar lindo e louco que gosto tanto.
enfim, o guindasteiro do turno da noite, fala pouco, ensina bem, com paciencia me disse que operar um guidaste eh como fazer carinho em alguem, tem que saber a hora de ir de leve e de vez em quando dar uns trancos; nao chega a ser poetica a explicacao, mas contribui para a minha concepcao falica do ato.
diz ele e outro diz tambem, que tenho futuro como guindasteira, acho que nao diriam outra coisa, pelo menos nao diretamente para mim, que numa empolgacao quase infantil, subo os degraus que levam a cabine e torço para chegar logo a hora de sentar na cadeira e fazer alguma manobra facil porem verdadeiramente emocionante!
ateh agora, tudo que me deixaram fazer, e isso jah eh muito, foi levantar e descer as defensas do navio - que, num barco de porte menor, sao aqueles pneus usados para amortecer o contato com outras embarcacoes - mas aqui as defensas sao enormes e a sensacao eh unica, de ter na pontas dos dedos, na palma da mao, 2 toneladas de carga, logo eu, que nao levanto nem um kilo!
depois, estaciono o guindaste e de novo a sensacao legal e divertida, uma baliza perfeita para quem nao sabe fazer o mesmo num carrinho de bem mais modestas proporcoes!

sábado, fevereiro 12, 2005

tosqueira

sao cento e tantos homens confinados no meio do mar por um numero de dias que, a medida que passa, parece os distanciar mais e mais dos modos talvez aprendidos em terra. jah ouvi dizer que depois de 14 dias a bordo, qualquer mulher que passe eh digna de capa da playboy; mas isso eh o que menos interessa, pois esse tipo de informacao muito raramente chega ateh mim e por esse fato soh tenho a agradecer...
as tosqueiras a bordo sao muitas e variadas, caberia talvez oferecer aqui uma definicao do que eh tosco, mas como dizia sr. aurelio buarque de holanda "definir uma palavra eh capturar uma borboleta no ar"; nota-se logo que, ao falar de tosqueiras, nao cabe tamanha sutileza.
como eu ia dizendo, muitas e de variadas especies; tosqueiras involuntarias, porcarias, grosserias, incivilidades, obcenidades e indelicadezas.
nao me sinto diretamente afetada por nenhuma delas, bem, talvez por alguns odores desagradaveis, mas devo esclarecer que o que presencio nunca eh diretamente para mim. as tosqueiras acontecem entre homens, esses monstrinhos que acabam por habitar tambem as nossas mentes.
dentes mal-escovados, dentes nao escovados, dentes podres, amerelos, cinzas e esverdeados, dentes faltando, mau-halito, perdigotos voando pela mesa de refeicoes, bocas cheias abertas e falando, pedacos de comida grudados nas barbas, debates sobre exame de toque durante o almoco, debates acalorados sobre a eficiencia do george forman grill jumbo, depois de meia-hora completamente concentrada no anuncio interminavel da polishop, todos os tipos de palavroes, alguns xingamentos que duvido ter a oportunidade de usar, maos sujas, unhas imundas, cabelos oleosos e caspa caido pelos ombros, herpes, perebas e espinhas, a mesma roupa todos os dias, sabonetes que secam por falta de uso, mau-cheiro de uma nhaca de terceiro dia, ou talvez de decimo...
acredito que, como uma garota no meio desses adoraveis trogloditas, nao venha nunca a experiementar a convivencia maxima comTODAS as coisas toscas que rolam por aqui, mas
espero ter passado a mensagem, nao tenho forças pra continuar sem passar mal...

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

o sexo e a cidade

Estou com saudades das minhas amigas; sinto falta das nossas conversas, cervejas, cigarros artesanais, passeios culturais e dias inteiros na praia. Digo sempre que sou a visita mais frequente, adoro visitar, chegar sem avisar e ser sempre muito bem recebida; passar na casa de alguem que jah estava de pijama pra arrastar pra uma nite; acordar pessoas de manha cedo para voltar a dormir na praia; sueca e dominoh na areia, cereveja no boteco, pode ser no seu pedro ou no peh quente, porteiros e vizinhos que salvam, as minhas amigas tem todas essas vantagens, mas o melhor mesmo sao nossas conversas... devaneios e elocubracoes que podem durar dias e noites...
Sou muito feliz de poder contar com algumas pessoas que vao sempre me ouvir com atencao, lembrar das historias que conto e me ajudar nas furadas, meu deus, cada uma que me meto... soh mesmo minhas amigas queridas pra me salvar!!!
Sinto falta das risadas e das pilhas muito erradas, das confissoes incofessaveis e dos porres absurdos; de dançar descalcas na sala e de cantar aos berros alguma musica-tema do momento.
Temos uma certa atmosfera carioca nos cercando, a praia sempre ao alcance, nos energizando e nos deixando sempre prontas pra proxima, caimos e levantamos tanta vezes quanto forem necessarias, tomamos muitas na lata e nunca desanimamos. Talvez nos falte a sofisticacao das personagens do meu seriado favorito, mas os rolos interminaveis, isso nos temos de sobra.
Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda, nao sao espelhos nem modelos, apenas colagens de traços de personalidade feminina com as quais eh realmente impossivel nao se identificar. Todas nos temos dias de Carrie, de pensar nas complicacoes de relacionamentos e de comprar coisas lindas e caras (as minhas favoritas!!!) temos tambem dias de Samantha, de olhares fatais e atitudes livres, de sentir-se confortavel com os impulsos a ponto de realizar qualquer um deles; dias de Charlotte, as vezes acontecem, dias em que vc quer ser tratada como a princesa que no fundo sabe que eh, eh nesses dias que compro flores e sonho coisas bonitas; Miranda estah presente nao exatemante em dias intereiros mas em momentos onde ser sarcastica eh a unica saida; dar um fora elegante e seco em algum chato inoportuno, se defender das diversas crueldades mundanas com firmeza eh necessario independente do clima do dia.
Mas bom mesmo eh juntar todos esses diversos aspectos ao redor de uma mesa e fazer o que nos, mulheres, sabemos fazer melhor: falar, falar, falar...
Os assuntos sao variados e desconexos, conseguimos entender varias linhas de pensamento e conversas paralelas com essa habilidade tipicamente feminina de ser multitask. Muitos assuntos, mas invariavelmente, o tema resvala sempre para aquele que nao se esgota nunca: homens...
mas isso eh assunto para outra hora...

quarta-feira, fevereiro 09, 2005


the king, 1975, cantando Alem do horizonte Posted by Hello

alem do horizonte

estava escrevendo mais cedo sobre o tedio insuportavel que senti o dia todo, mas perdeu-se meu texto por alguma razao alheia a minha vontade, entao volto eu a escrever e, sim o tedio persiste...
falta de imaginacao, falta de criatividade, falta de inspiracao, falta de novidades, todas essas faltas ainda me perseguem; como lutar quase sem forças contra esse tedio tao completo que me rodeia? como me livrar do tempo inerte, desse tempo que resolveu, por capricho, parar de andar?
marasmo mental...tempo imovel...
saturando minha paciencia jah escassa por natureza; hoje o dia engatinhou sem vontade, ontem esteve mancando lentamente e talvez amanha se deite no meio do meu caminho...
eu li e li e o livro tambem nao saiu do lugar, voltam-se todos contra a minha vontade, ateh meus aliados, as palavras e os sons, estiveram de mau-humor comigo esses dias.
dos sons soh nao reclamo mais porque ainda agora tive uma agradavel surpresa!
chegou ateh minhas maos, para deleite dos meus ouvidos entediados, um cd do rei!
naturalmente falo dele, pois a majestade eh para poucos e ele, o rei, merece todo nosso respeito!
acustico 2001 MTV - Roberto Carlos chegando para me tirar um pouco da imobilidade desse dia que nao acaba.
Me animo soh de ouvir perolas eternas of the king, a maior delas, a minha musica, que me acompanhou em diversos momentos, eternizada pelo velho e companheiro toca-discos da casa da Manu, de agulhas cansadas de quase furar essa faixa do vinil (amiga, finalmente falo de vc aqui, e veja que eh em grande estilo, muito bem acompanhada do nosso rei) enfim, com vcs, a minha versao private de Alem do horizonte:

Alem do horizonte, existe um lugar
Bonito e fresquinho
pra gente se amar

porque eh impossivel se amar e ser feliz se nao for no fresquinho!!!
obrigada Roberto por ter vindo me salvar do afogamento em tedio q me encontrava.
para quem quiser a versao original da musica, saber do cruzeiro com o rei e, entre outras coisas, mandar um e-card com a voz dele (!!!) :
http://www.robertocarlos.com



segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Pela TV

A JARDINEIRA (1938)
Ó jardineira porque estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu
Vem jardineira vem meu amor
Não fiques triste que este mundo é todo seu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu



Tinha dito que nao iria falar do navio enquanto aguentasse; mas quem pode fugir indefinidamente da realidade?
Nem as mentes mais viajantes estao livres de um contato com o mundo que as cercam e assim acontece com a minha, que, acho mesmo, nao eh tao livre quanto eu gostaria.
De qualquer forma, apesar de ser assim, o tema segue sendo o carnaval. Porque disso, mesmo que quisesse, nao conseguiria fugir e nao querendo mesmo, eh sobre isso que continuamos divagando, eu e minha cabecinha cheia de bichinhos; pelas minhas maos, chegam ateh aqui, sempre mais devaneios e ateh elas se cansarem, expressarao ideias que podem ou nao acrescentar alguma coisa util, futil, inutil a quem quiser me ler.
Ler-me, eu digo, pois eh atraves do que deixamos escapar do nosso mundinho mental, que vem a saber todos quem somos nos; somos mesmo o que pensamos ser, ou essa eh mais uma das mascaras encouraçadas que vestimos, independente da epoca do ano? o que escrevemos eh nosso? o que dizemos nos pertence? quem pode saber?
Voltando ao tema, digo logo o que vim dizer...
Ontem assisti, provavelmente pela primeira vez, um desfile de escolas de samba pela tv...
Okay, triste, deprimente, voces vao dizer; coitada, estah lah confinada e mesmo assim se tortura vendo a diversao alheia. Nao foi bem assim; me diverti muito, nao exatamente pelos desfiles, mas pela companhia. Assistir tv na sala de fumantes por aqui eh sempre diversao garantida! Ontem, estive muito bem acompanhada de dois figuras raras, rarissimas, daquele tipo que eu digo, voces tem que conhecer!!! Se o mundo eh movido eh movido a pilha errada, esses dois sao os motores. Ouvir casos reais e outros nem tanto, de gente que gosta tanto de carnaval quanto eu, comentarios absurdos, fora de de proposito e pilha, muita pilha nos fumantes incautos que ali soh estavam exercendo seu vicio e sua vontade; os gringos, sem entender nada, maravilhados e meio chocados com a nudez das mulatas, querendo mais saber do score do superball, coitados...
Conto pessoalmente a quem quiser saber, algumas das besteiras sem limites que ouvi. Carnaval dah muito pano para manga, ainda mais se contado por um que, diz ele, jah foi mestre-sala, pintor de alegorias e tocou jah todos os instrumentos da bateria; ouvir o outro falar de bundas e peitos plastificados e descolar ateh uma promessa, serah que nessa eu acredito?, de ser destaque carnaval que vem!
Me diverti e fui dormir tarde, fedendo a varias marcas de cigarro, com a barriga doendo de tantas risadas e com a certeza de que hoje, mais tarde, a diversao continua; pois hoje ainda tem desfile, e esse eu nao perco; meu irmao vai estrear na avenida e sei que meus companheiros de cigarro estarao lah, porque eles, ha ha ha, querem ver o cunhado...
Eh muita pilha mesmo!!!
Termino assim, com uma marchinha, que jah ha varias decadas vem botando pilha errada na galera:

CABELEIRA DO ZEZÉ
Olha a cabeleira do zezé
Será que ele é
Será que ele é
Será que ele é bossa nova
Será que ele é maomé
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é
Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!



Para ouvir e cantar junto:
(mp3 na voz de Carmen Costa)

http://www.samba-choro.com.br/s-c/mp3/marcha-do-bola-preta.mp3

Aih vai a letra de novo:

Marcha do Cordao do Bola Preta

Quem não chora não mama
Segura meu bem a chupeta
Lugar quente é na cama ou então no Bola Preta

Tem no Bola meu bem
Uma alegria infernal
Todos são de coração
Foliões do carnaval
Sensacional

Posted by Hello

domingo, fevereiro 06, 2005


Malandragem & Samba; Samba & Carnaval
Bezerra da Silva, que entendia de malandragem, dizia assim:

"Já falei pra você, que malandro não vacila
Já falei pra você, que malandro não vacila
Malandro não cai, nem escorrega
Malandro não dorme nem cochila
Malandro não carrega embrulho
E tambem não entra em fila
É, mas um bom malandro
Ele tem hora pra falar gíria
Só fala verdade, não fala mentira
Você pode acreditar
Eu conheço uma pá de otário
Metido a malandro que anda gingando
Crente que tá abafando, só aprendeu a falar:
Como é que é? Como é que tá?"

Posted by Hello

sábado, fevereiro 05, 2005


"...e vai, sem medo, sem mascara, conquista as suas belas e faz delas rainhas do seu bloco."
 Posted by Hello

conto de carnaval

esclarecimento basico:
esse eh apenas um exercicio da minha veia literaria contista, depois voces me dizem se preferem a natascha cronista...

ALLAH-LÁ-Ô
Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara
Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah

Bloco de carnaval

Daniel era o nome dele, mas poderia ser pedro, joao ou astolfo (apesar de eu nao conhecer nenhum astolfo), mas enfim, o nome era Daniel, como mamae escolheu.
Carioca da tijuca, tinha o carnaval na veia como seu pai, como a familia inteira. Seguia os blocos tradicionais e ia para os bailes, sempre de fantasia; na verdade preferia usar mascaras, nao que se achasse feio, mas mascaras davam um ar de misterio que, desde menino havia constatado, as garotas adoravam; as mascaras tambem eram um belo disfarce para essa timidez tao timida que tinha ateh medo de manifestar, nao era timido no sentido classico da timidez acabrunhada, era mais um medo latente das damas, se eh voces me entendem...
Crescido em meio a folia, Daniel - nao tinha apelido, nem para os intimos, dizia que dani era coisa de mulher- aprendeu cedo a gostar do calor carnavalesco, a gostar de tudo relativo a esse calor, que como bem diz a marchinha "lugar quente eh na cama, ou entao no Bola Preta".
Foi num carnaval mascarado que conheceu a seducao e a arte de um belo par de olhos, e belos pares tambem de outras partes; seu primeiro beijo teve gosto de confeti e foi com uma linda bailarina. Conheceu tambem junto com a efemeridade de um beijo roubado, a fugacidade de um lança perfume, esse nao pelas maos, bocas e braços das meninas, mas por seu tio, mestre da bateria do bloco onde seu pai puxava o samba. Esses sempre foram seus dois grandes companheiros, de carnaval e tambem do ano inteiro.
Com seu novo companheio, o lança, Daniel, q era garoto timido daquela timidez jah explicada, se soltava e assim liberto, durante o carnaval podia entender os sabores e os desejos das meninas que a seus olhos eram ciganas, princesas e baianas. Passada a onda do lança, porem, voltava a ser menino timido, q soh cantava e dançava 4 dias por ano.
Nos outros dias, Daniel se sentia vencido por essa timidez, por nao poder usar mascara o ano todo, por nao poder alongar indefinidamente a onda tao boa q o fazia tao lindo aos olhos das meninas...
Entre a mascara e o lança, decidiu que o mais facil, fora do carnaval, era mesmo o lança.
Seu pai, um dia, vendo q essa timidez havia de ser vencida com algo mais do que um paliativo inalante, chamou o menino, que jah nao era assim tao menino, para uma conversa, dessas que eu soh posso imaginar que rolem entre um pai e um filho.
Daniel, meu filho, voce tah ficando burro disso que devia somente ser um aditivo inocente de folia; nao deixe isso transformar voce em uma alface. A ilusao eh uma fera disfarcada de bela, que te leva pelos bracos ateh a sua medonha caverna. Escolha o mundo real, escolha lembrar das meninas que beija e escolha bem as que vai beijar. Livre-se dessa timidez de vez!
Mas, pai...
E o pai, como um bom pai, interrompeu o filho e continuou, dizendo algo que certamente despertarah a atencao de voces como despertou a de Daniel na ocasiao.
Eu vou te contar um segredo, meu filho...
Nesse instante, acontece a pausa que nao seberemos nunca quanto tempo dura...
Eu tenho um bloco de carnaval.
Tah loco, pai?! E isso eh segredo pra quem??? Todo mundo sabe q vc puxa samba no bloco!!! Depois sou eu que to ficando burro...
O pai levantou-se sem dizer nada e produziu de uma gaveta um bloco. Sentou-se novamente e com muito cuidado e poderia se dizer ateh um pouco de reverencia, abriu as paginas amareladas, que continham algo que Daniel nunca tinha visto em sua casa.
Eram fotos. Fotos de carnavais passados, todas as fotos tinham seu pai, sempre com uma camisa espalhafatosa, um colar havaiano ou um chapeu de malandro. Mas olhando melhor para as fotos, Daniel percebeu que aquela mulher fantasiada nao era uma, mas eram varias, lindas e nem tanto, abracadas com seu pai, ao longo dos muito carnavais. Cada foto estava datada e continha um nome. Ana, 1964, Marta 1967, Cris, 1969, Regina, 1971, Paulinha, 1977 e assim por diante. Muitas partilhavam os mesmo anos, afinal, o carnaval eh de todas. Viu sua mae entre as fotos e as viu escasseando depois dela, mas ainda assim continuavam, se espalhando pelas folhas meio mofadas do bloco de carnaval de seu pai. Percebendo a felicidade no rosto dessas mulheres fugazes, percebeu tambem a felicidade nos olhos de seu pai, nas fotos e ao mira-lo novamente, em sua face, ao vivo, alegrando-se enormemente por ter finalmente dividido a magia dos seus tantos carnavais com seu filho querido.
O pai entao, percebendo uma ligeira duvida que passava pelo rosto de Daniel, lhe disse, Essas mulheres, todas elas, foram felizes e amadas comigo, por mais breve que tenha sido o encontro, encontro ateh hoje um espaco no coracao para todas elas. Retenho dessa forma a alegria do carnaval, que volta a mim toda vez que olho para essas fotos. Essas mulheres, meu filho, sentem que por terem sido fotografadas assim, eu as amei e nao as deixarei cair no esquecimento. Esse esquecimento que nao quero que faça parte da sua vida, que nao pretendo que o deixe levar para onde, nao elas, mas voce mesmo serah esquecido. Se voce ama a vida e as belas damas que soh esssa vida amada pode lhe proporcionar, encare-as de frente, sem mascaras de qualquer tipo.
Daniel entendeu entao o que seu pai queria dizer e sentiu-se livre do peso da timidez para com as moças, sentiu-se homem, sentiu-se capaz e euforico como nunca nunhuma droga o havia deixado.
O pai, disse entao, Leva a minha polaroid - sim, eram polaroids, porque nem a memoria linda do pai de Daniel seria capaz de esperar rolos de filmes acabrem para revelar o rosto de todas as suas belas companheiras- para esse carnaval que estah comecando, e vai, sem medo, sem mascara, conquista as suas belas e faz delas rainhas do seu bloco. Essa tradicao eu passo a voce com a condicao com que me foi passada: esse bloco eh seu e soh seu, a ilusao e fantasia acabarao no momento em que voce dividir isso com alguma mulher beijada e conquistada. Isso foi seu tio quem me ensinou, meu irmao mais velho e o mais sabio boemio que conheco, e olha que eu conheco muitos. Ele vai ficar muito feliz de te ver com a camera na mao quando o bloco passar.
Daniel viveu assim seu melhor carnaval, tirou muitas fotos com todas as suas princesas, perguntou nomes e se orgulhou de lembrar de quase tudo que ocorreu naquele ano. Quase, porque, logo no comeco da historia do seu bloco particular, justamente sua mais bela princesa, deixou-a ir, perdendo-se no mar de gente, depois de um delicioso e refrescante beijo, dessa vez nao roubado mas aceito de bom grado, partiu ela sem deixar traço, nome, telefone, hotmail nem nada. Deixou somente seu sorriso iluminando a foto, seus olhos amendoados, seus cabelos cacheados, que com uma icognita, ficaram no comeco do bloco, carnaval 2002 (?).
Desde entao, seu bloco seguia ficando extenso, mas sempre havia a sensacao de que faltava realmente a rainha das belas, a mais bonita das cabrochas dessa ala (isso quem disse foi o Daniel, nao pensem que eu plageio Chico Buarque assim impunemente).
A procura se estendeu a varios carnavais, nos quais Daniel, outro, depois daquela conversa, nao mais o timido, sempre buscava entre os rostos na multidao, a sua princesa. Ateh que um dia, numa manha nublada e quente, no Cordao do Bola Preta, viu fantasiada de colombina, a sua bela e para seu espanto, estava com a irma da amiga de uma amiga, ou talvez a prima da amiga da irma, enfim, gente conhecida, como pode ela fugir tanto tempo de seu pierrot?!
Com o batuque da banda acelerando seu coracao, Daniel foi ateh ela, olhou-a nos olhos, emocionou-se e vendo-se tambem reconhecido, abracou-a e disse baixinho no seu ouvido: carnaval 2002, no que ela respondeu: Alice... desvencilhando-se do abraco apertado daquele moço bonito, ela disse: agora voce pode completar seu bloco...
Virou-se, deixando nosso amigo em choque, e perdeu-se na multidao, como soh uma colombina sabe fazer.
MÁSCARA NEGRA
Quanto riso oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão

sexta-feira, fevereiro 04, 2005


CACHAÇA
Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça


 Posted by Hello


TURMA DO FUNIL
Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe
Mas ninguém dorme no ponto
Aí, aí, ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles que ficam tontos

Eu bebo, sem compromisso,
com meu dinheiro, ninguém tem nada com isso
Aonde houver garrafa, aonde houver barril
Presente está a turma do funil

 Posted by Hello

fantasias de carnaval

A FANTASIA DO BORNAI
Roubaram a fantasia do Bornai
Mas mesmo assim
O homem sai

A fantasia era bela
E na passarela
Era a maioral

A fantasia era de Buda
E vai dar Buda nesse carnaval

Vai dar buda, meu bem
Vai dar buda

E vai dar buda nesse carnaval


carmelitas, banda de ipanema, simpatia eh quase amor, esse eh o bom mas niguem sabe, orquestra imperial, escravos da mauah, cordao do bola preta, academicos da rocinha...
aproveitei o q pude do pre-carnaval carioca, q jah enchia a cidade de euforia nessas semanas q antecederam o carnaval.
nada como pular num bloco, que com seu batuque animado, convoca todos para folia; vestir uma fantasia - esse ano eu fui branca de neve, abelha, iemanjah e teria sido muito mais...
carnaval sem fantasia nao eh carnaval!
desde de pequena, sempre fui uma pessoa carnavalesca, jah fui princesa, odalisca e melindrosa; jah fui abobora, bruxinha e bailarina; jah fui mascarada, flor e colombina; mulher maravilha e noiva caipira.
perder uma parte da fantasia, se enrolar em serpetina, achar confeti ateh a calcinha; arrebentar a sandalia sambando, tomar banho de cerveja, beber algo q jamais beberia, uma cachaca qualquer, voltar pra casa a peh, lah de longe, dancando pela rua, render-se as delicias de um romance efemero, que dura somente o tempo de nao ser nunca esquecido; esquecer os nomes mas lembrar das fantasias, cantar mil vezes o mesmo samba do bloco e soh lembrar do refrao no dia seguinte, guardar o abanador com a letra do sambinha esquecido; perder coisas e perde-se, achar-se com algum estranho conhecido, fazer dos amigos amantes, passar dias pensando nas fantasias, nas que vamos vestir e nas que pretendemos realizar, improvisar fantasias de ultima hora, ceder uma parte, uma flor, um detalhe para ver alguem tambem fantasiado... fantasiar-se, fantasiar; as possibilidades sao tantas que preencherao com certeza varios carnavais, que serao marcantes e marcados por personagens lindos e magicos, pessoas q, como nos para eles, soh existem durante um carnaval.


SASSARICANDO
Sassassaricando
Todo mundo leva a vida no arame
Sassassaricando
A viúva o brotinho e a madame
O velho na porta da Colombo
É um assombroSassaricando
Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só
Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó


velha guarda soh eh quem eh!!! Posted by Hello


bola preta, carnaval dos tempos idos Posted by Hello

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

carnaval no mar

CUBA VAI LANÇAR FOGUETE
Brasil vai lançar foguete
Cuba também vai lançar

Lança Cuba lança
Eu quero ver Cuba lançar


quinta feira, dia 3 de fevereiro, depois de vaaaarias horas de espera e muito stress, estou de volta ao local onde minha mente divaga, passeando por caminhos ermos do pensamento, por falta de caminhos concretos do corpo.
o carnaval chega enquanto eu passo, inaugurando uma categoria inedita na minha breve vida, esses dias aqui no navio; tenho vontade de chorar... de verdade...
o carnaval eh especial...
o carnaval tem cheiro, tem gosto, tem um calor q se sente no ar, repleto do encanto carnavalesco, tao forte q eh quase palpavel; ouvir o batuque de casa, te chamando para folia, se perder num bloco achado em uma esquina, cantando as marchinhas de sempre, beber para refrescar-se, usar uma fantasia, usar varias fantasias, ter fantasias e realiza-las...
ser livre!, esse eh o eterno sonho e a grande ilusao do carnaval...
tantas vezes abrodado com a melancolia de quem sabe e jah viveu as emocoes unicas q soh um bom carnaval pode proporcionar, a algria fugaz e a ofegante epidemia... pra tudo se acabar na quarta-feira; mas ateh quarta-feira, sao varios dias dedicados unicamente a diversao, diversao simples, barata, garantida e ao mesmo tempo inesperada.
o bloco vai estar lah certamente, mas pra onde ele vai te levar eh sempre um misterio q por isso mesmo seguimos para desvendar e para ter historias de carnaval para contar...
***
em homenagem a nossa efemera e bela festa, publico, enquanto aguentar, historias, casos e coisas relativas ao carnaval, numa comemoracao peculiar e, espero, unica.
nao quero falar do navio, nem de trabalho, nem das minhas revoltas e stresses rotineiro; quero carnaval! no espirito e na alma (em um e no outro que de repente sao um mesmo) ainda eh carnaval em mim, daqui quase me parece q o barulho longuinquo da perfuracao, eh um batuque que vem chegando, de repente eh soh o batuque do meu coracao.
MARCHA DO CORDÃO DO BOLA PRETA
Quem não chora não mama
Segura meu bem a chupeta
Lugar quente é na cama
Ou então no Bola Preta
Tem no Bola meu bem
Uma alegria infernal
Todos são de coração
Foliões do carnaval
Sensacional!