segunda-feira, maio 30, 2005

detalhes

costumo dizer que eh de detalhes que se faz uma boa historia, detalhes sao peças importantes na nossa vida; particularmente, presto muita atencao aos detalhes, esses fragmentos perdidos no meio de nossas rotinas, as vezes por demais sutis para que sejam percebidos pelos desatentos ou desacostumados a eles.
uma frase - por vezes uma palavra - uma expressao, um gesto, podem mudar completamente nossa percepcao de situacoes que, se nao fossem por esses pormenores, deixariam de ser registradas.
contar uma historia com riqueza de detalhes a faz, sem duvida, mais interesante e mais cativante; lembrar-se de cores, de cheiros, de lugares, da musica de fundo, se estava chovendo ou se fazia sol, como estavam vestidas as pessoas das quais se fala, nomes, caracteristicas fisicas, tudo isso eh parte, nao soh integrante, como tambem essencial a uma boa narrativa; essencial tambem como forma de memorizar mais profundamente fatos corriqueiros; com detalhes, qualquer ida a padaria pode tornar-se passivel de ser contada.
quem me conhece sabe que eu sempre tenho historias para contar, me divirto prestando atencao nas minucias que serao destaque quando forem expostas a quem quer que esteja disposto a ouvi-las.
tudo eh missao, nao ha tarefa simples demais para nao ser descrita; botar o peh na rua eh sempre o comeco do que pode vir a ser um dia interminavel de missoes - das necessarias e das voluntarias, das perigosas e das tranquilas, das longas e das curtas - tudo, com a dose certa de drama, de romantismo e - porque nao? - de ficcao, eh pano de fundo para relatos expressivos de como a vida pode ser interesante.
sinto-me feliz e privilegiada de contar com uma imaginacao fertil que, aliada a qualidade que soh a vida tem de ser extraordinaria e surpreendente, faz-me sempre ter muito a dizer!
eu sei, as vezes digo coisas demais, mas nao concordam comigo que eh melhor pecar por excesso?! esse deve ser mesmo meu maior pecado...
falar indefinidamente, repetir uma historia inteira por ter esquecido de um detalhe, conta-la com uma dose extra de ficcao sao algumas das minhas atividades favoritas! historias que viram lendas, tanto que acabamos por ouvi-las em outras versoes ou passamos adiante a nossa, aquela que sabemos nao ser bem assim, mas que, em prol de uma boa conversa, "fica sendo", ateh o ponto em que nos confundimos a nos mesmos e deixamos de saber qual ao certo qual a versao inicial...
quem nao tem historias assim?!

domingo, maio 29, 2005

mais um dia de aulas, marasmo e sonecas aqui no meio do mar, nada muito inspirador...
um empate sem graca, depois de um jogo dramatico tambem nao contribui para o animo meio abatido de estar confinado e vigiado; alunos que nao comparecem quando deveriam, comida demais na hora errada, cigarros, tantos que dao enjoo - talvez tenha sido o pastel de ainda pouco- tambem cooperam para um certo embotamento- quem sabe tambem nao foi o queijo do pastel? certa vez, me lembro de ter lido que comer queijo ou chocolate antes de fazer algum tipo de prova ou teste diminue o raciocinio em nao-sei-quantos por cento; nao sei ateh que ponto deve-se acreditar no que se le por aih, mas nesse momento, com a cabeca um pouco dolorida, nao posso deixar de imaginar que, se nao tivesse comido, tomado tanto cafeh ou fumado tanto, talvez estivesse com um sentimento mais alentador...
eh aniversario da vovoh e acabo de lembrar que esqueci; eh domingo e aqui eh mais como uma segunda depois da outra, que se segue com outra segunda e quando acho que vai chegar outro dia, lah vem novamente a segunda-feira, fazendo-me perder-me em incontaveis segundas ateh que chegue a vespera e, finalmente, a terra firme debaixo dos meus pes; faltam, porem, varias segundas em sequencia para que isso aconteca e contabilizar dias por aqui nao eh a melhor ideia...
acho que amanha, na segunda de fato, tentarei me concentrar em algo mais produtivo, uma leitura interessante - tenho a feliz escolha entre saramago, wilde e platao- ou talvez um texto assim, digamos, ficcional - tenho tantas personagens em minha cabeca que, quando decidir bota-las para fora, a luta serah dura e talvez se embaralhem na hora de sair do meu pensamento.
enfim, mais um dia de trabalho - ou nem tanto - que me leva a unica conclusao plausivel:
hoje, vou dormir mais cedo...

sábado, maio 28, 2005

perspectivas

o que perpectiva?, perguntou-me o colega, durante uma longa viagem de onibus, voce nao acha que seria uma discussao muito mais filosofica se fossemos tentar definir o que de fato uma perpectiva?
voltavamos de um simposio de fenomenologia e hermeneutica, ha alguns anos, quando ainda era estudante de filosofia e discutiamos as nossas perpectivas como futuros filosofos; alias, discutia eu, pois meu colega na epoca, dizia nao haverem perspectivas, nao haver nada a ser feito pelo mundo, nao haver futuro, nao haver historia; estava ele mergulhado em uma profunda falta daquilo que sempre me pareceu mais brilhante e nitido no meu futuro: perspectivas.
volta e meia, eu me lembro dessa conversa, nao tenho na memoria o que resultou dela, mas a pergunta persiste e com o passar do tempo, parece-me cada vez mais imperativo saber de fato o que sao essas nossas expectativas em relacao ao futuro, que por alguma razao se destacam das outras expectativas quando as denominamos assim: perspectivas.
lembro-me vagamente do que esperava na epoca - falando assim, pode parecer que jah faz muito tempo, mas o distanciamento de 5 ou 6 anos quando se eh adolescente como era na epoca, eh quase um abismo milenar, nessa nossa vida sempre com serias tendencias ao exagero - enfim, o que eu queria da vida entao e o que quero agora, nao sao muito diferentes. nesse meio tempo, porem, jah quis tantas outras coisas que hoje custa-me acreditar que devemos realmente traçar e botar tanta energia em tais coisas.
ha duas semanas, dentro da minha cabeca, os varios eus que a habitam tinham lindas perspectivas em relacao ha algo que nem de longe se concretizou; ha alguns meses, ocorreu a mesmissima coisa; no entanto, muitos acontecimentos notaveis, casos de exito inesperados surgiram na minha vida sem que qualquer plano fosse traçado sobre eles; o que me leva a crer que, ter como maxima a frase de heraclito - um cara que realmente sabia das coisas - espere sempre o inesperado, eh talvez a melhor saida; nao sou boa de planos, nunca fui, raros os que deram certo, mas ao longo da vida, jah fui muito surpeendida por acasos inopinados, por encontros e oportunidades que se davam extamente no momento em que achava necessitar de algo frontalmente oposto; ficar quando queria ir, deixar quando queria tirar, aceitar quando soh pensava em dizer nao, parar quando achava que o mais acertado seria continuar e continuar mesmo com muitas ganas de parar; reconhecer que a vida traz, por si soh, montes de escolhas que podemos fazer a qualquer momento nao eh das tarefas mais faceis, principalmente se estivermos presos as tais perspectivas, que nao deixo em absoluto de ter - seria irreal dizer que vivo sem imaginar o que quero que aconteca - podemos sempre, porem, receber de bom grado esses pequenos presentes inesperados que estavam totalmente fora de nossas perpectivas e parar para refletir que talvez baste um ajuste de foco, pois perspectivas sao, antes de mais nada, geometricamente falando, representacoes visuais de como objetos se apresentam conforme sua posicao e distancia; com um distanciamento mais apurado e um pocisionamento porventura diferente, o imprevisto pode entrar em perspectiva.

sábado, maio 07, 2005

auto-entrevista basica

no clima do blog da minha querida prima - .: the pink side of the force:. - q tem uma certa tara por quizes, correntes e afins, aqui vai uma auto-entrevista, dessas profundas e futeis, que a gente sempre acaba respondendo metalmente quando le a de alguem:



carro: o de quem for me dar carona

lugar mais estranho onde fez amor: nenhum lugar eh estranho para isso

quem levaria para uma ilha deserta: pessoas suficientes para que ela nao ficasse mais deserta

quem deixaria por lah: ninguem, eu acho; seria maldade habitar uma linda ilha deserta de pessoas que na valem a pena nem por aqui...

pasta de dente: qualquer uma, seguida de listerine ultra refrescante!!!

desodorante: algum cheirosinho

perfume: isso todo mundo sabe, victoria secret's de baunilha

cantora: gosto de muitas, mas se for pra dizer uma soh, teria que ser a marisa monte, sem duvida

cantor:

musica: a trilha sonora desse exato momento eh: rivers of babylon, do sublime

ator:

atriz:

sapato: tenho um fraco por sapatos, gosto dos altos, dos baixos, dos caros, dos baratinhos

leituras: gosto tanto de ler; leio varias coisas ao mesmo tempo, mas tenho predilecao pelos realistas fantasticos, em especial garcia marques


mania: palavras-cruzadas

nao vive sem: varias coisinhas, tipo, meu celular, acesso a internet, cafe, cigarros, chocolate... e, claro, as pessoas que eu amo!

pode viver sem:
esse meu emprego aqui

novela: essas mulheres, da record; huahuahuahuahuahua, alguem jah viu coisa mais tosca?

programa de tv: carrie, charlotte, samantha e miranda sao minhas musas

loja de roupas: quantas coisas eu posso escrever aqui?! todas as lojas de roupa tem sua funcao, afinal tem gente que curte mesmo MEDO MODAS, huahuahuahua

onde gostaria de estar agora:
em terra firme

ultimo filme q assistiu: ontem eu vi aquele que o woody allen faz o papel dele mesmo...

um bom programa: qualquer coisa eh legal com uma boa companhia, menos micareta e comicio!!!

uma cidade: rio de janeiro sempre

ritual de beleza:
passar produtos refrescantes no rosto qdo acordo e antes de dormir; fazer as unhas sempre!

carlos drummond de andrade


SOB O CHUVEIRO AMAR

Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo -- é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fontes?
O CHÃO E A CAMA
O chão é cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama.
E para repousar do amor, vamos à cama.
O LUTADOR
Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.
Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
Ser-lhes-ei escravo
de rara humildade.
Guardarei sigilo
de nosso comércio.
Na voz, nenhum travo
de zanga ou desgosto.
Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssimas
e viram-me o rosto.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.
Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dente
nessa pele clara.
Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tortura.
Luto corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
Não encontro vestes,
não seguro formas,
é fluido inimigo
que me dobra os músculos
e ri-se das normas
da boa peleja.
Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
aquela sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
Mas ai! é o instante
de entreabrir os olhos:
entre beijo e boca,
tudo se evapora.
O ciclo do dia
ora se conclui
e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve.
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.

sexta-feira, maio 06, 2005

volto outra vez, com um certo atraso, a escrever aqui...
o atraso se justifica: passei uma semana de dispensa por conta de um acidente de carro do qual nao tive culpa nenhuma, ou talvez tenho tido toda a culpa; nao vem ao caso como se deram os fatos, mas sim que sucederam dias antes da minha vinda prevista, que foi entao adiada por uma semana.
de ontem para hoje, estou por aqui aparentemente a passeio, pois a sala de aula estah sendo ocupada por inumeras reunioes, ao meu ver infrutiferas. de qualquer modo, o que tem me impedido de fazer meu trabalho, nao me impede nesse momento de encher essa pagina virtual de palavras muito pouco inspiradas; tenho q confessar que durante as tres semanas que estive em casa, o processo de criacao foi totalmente interrompido pelo curso da vida, que as vezes nos abandona em situacoes das quais nao sabemos sair, nao temos como nos livrar nem evitar.
uma pena, eh verdade, ficar a aguardar algo que nao chega, pensar demais e nao ter como se libertar dos eternos bichinhos que infestam o pensamento.
sempre ha a diversao, obviamente, as noites de festa, os dias de praia, as tardes de cinema; nao posso negar que sempre sei muito bem o que fazer para me entreter; nesse sentido, um filme e uma ida a opera no municipal foram os principais atrativos.
o cla das adagas voadoras, filme chines, uma producao epica esmerada em detalhes e cores; um casal principal de uma beleza ha muito tempo nao vista, uma historia grandiosa, de vida ou morte, por ideiais maiores e por amor; uma festa para os sentidos, musica, danca, lutas, tudo beirando o fantastico com chineses voadores; sempre se retratam voadores os chines, nao posso deixar de me perguntar se ha algo que nao estamos sabendo...
a opera, progama raro, porem nao caro com seria de se esprerar, foi macbeth, que pelas maos de verdi e sergio britto, chega com a força das vozes poderosas dos cantores, em especial a soprano que fazia uma lady macbeth impetuosa como deve ser; se faltou talvez a profundidade dramatica e o tom smbrio do original de shakespeare - a musica as vezes muito alegre para momentos nebulosos - a historia eh bem contada, a producao de um apuro a cima da media e um coro de vozes que, na primeira cena em que aprareceram, cantando a morte do rei, chegaram a arrepiar de emocao.
macbeth eh definitivamente a minha favorita de tudo que li de shakespeare ateh hoje; nao foi muito, mas o suficiente para te-la escolhido nao apenas pela historia, mas pelo modo como se desenrolam os fatos; a crueldade de lady macbeth envenenado as ideias de seu marido fraco e ambicioso, as bruxas - protagonistas das melhores cenas - mostrando o futuro atraves de uma bruxaria tipica, que fala a verdade enganando; a fraqueza de macbeth, se deixando levar por essas influencias, o seu tormento, tudo contado com grandiosidade...
e entao, nao posso deixar de pensar: o que nos falta, mais que tudo, nessa nossa vida moderna e veloz, eh essa grandiosidade, uma imponencia que perdemos com o passar dos seculos;
fazemos listas de supermercados e exercemos nossa cidadania apertando botoes de tantos em tantos anos; pagamos as contas e ligamos para o procon; dirigimos pelas ruas com prudencia e reciclamos lixo; acordamos cedo para nao nos atrasar e levamos bronca por outros motivos; chegamos em casa e assistimos teve; qual foi a ultima coisa nobre e grandiosa que voce fez? nos falta uma visao maior; nesses tempos de globalizacao acabamos por nos preocupar muito menos com o mundo e com a historia do que todas essas pequenas coisas que nao terminam nunca de revelar-se no nosso caminho, nao nos deixando margem a pensamentos maiores e libertos desses pequenos nadas que acabam por dominar nosssa existencia;
para onde foi a grandiosidade vivida em outros tempos? o mundo dimunui e perde suas fronteiras e com elas vao-se tambem muitos dos valores prezados para mante-las.
houve um tempo em que guerras eram forjadas por ideiais, em que se matava e morria por amor a patria, por crença em lideres, pelo bem de um povo; defendia-se a casa e a familia; e, acima de tudo, lutava-se pela horna, esse sentimento esquecido que levava homens a procurar mecerer e manter a consideracao de outrem; dignidade, honestidade, brio, decoro eram entao coniderados pundonores de um homem, de uma familia, de uma intituicao, de uma patria.
para onde foi sentimento de grandiosidade, substituido gradual porem inexoravelmente por um individualismo autofagico que soh poderah levar a destruicao do nosso planetinha, coitado, jah tao combalido de todas as formas; por um lado, nao pensar nisso nao vai fazer com que geracoes futuras nao sofram as consequencias, por outro, pensar eh preocupar-se com o que talvez pudsse ser chamado de causa perdida; que forças temos como individuos? qual eh o poder que nos vai fazer mudar o curso inflexivel da historia? como isso, que esteve por vezes na ponta de uma espada, na voz de uma pessoa, nos parece absurdamente distante dos nossos incontaveis botoes que para todo o resto nos servem?
por que estamos assim tao sozinhos e pquenos se somos tantos?