volto outra vez, com um certo atraso, a escrever aqui...
o atraso se justifica: passei uma semana de dispensa por conta de um acidente de carro do qual nao tive culpa nenhuma, ou talvez tenho tido toda a culpa; nao vem ao caso como se deram os fatos, mas sim que sucederam dias antes da minha vinda prevista, que foi entao adiada por uma semana.
de ontem para hoje, estou por aqui aparentemente a passeio, pois a sala de aula estah sendo ocupada por inumeras reunioes, ao meu ver infrutiferas. de qualquer modo, o que tem me impedido de fazer meu trabalho, nao me impede nesse momento de encher essa pagina virtual de palavras muito pouco inspiradas; tenho q confessar que durante as tres semanas que estive em casa, o processo de criacao foi totalmente interrompido pelo curso da vida, que as vezes nos abandona em situacoes das quais nao sabemos sair, nao temos como nos livrar nem evitar.
uma pena, eh verdade, ficar a aguardar algo que nao chega, pensar demais e nao ter como se libertar dos eternos bichinhos que infestam o pensamento.
sempre ha a diversao, obviamente, as noites de festa, os dias de praia, as tardes de cinema; nao posso negar que sempre sei muito bem o que fazer para me entreter; nesse sentido, um filme e uma ida a opera no municipal foram os principais atrativos.
o cla das adagas voadoras, filme chines, uma producao epica esmerada em detalhes e cores; um casal principal de uma beleza ha muito tempo nao vista, uma historia grandiosa, de vida ou morte, por ideiais maiores e por amor; uma festa para os sentidos, musica, danca, lutas, tudo beirando o fantastico com chineses voadores; sempre se retratam voadores os chines, nao posso deixar de me perguntar se ha algo que nao estamos sabendo...
a opera, progama raro, porem nao caro com seria de se esprerar, foi macbeth, que pelas maos de verdi e sergio britto, chega com a força das vozes poderosas dos cantores, em especial a soprano que fazia uma lady macbeth impetuosa como deve ser; se faltou talvez a profundidade dramatica e o tom smbrio do original de shakespeare - a musica as vezes muito alegre para momentos nebulosos - a historia eh bem contada, a producao de um apuro a cima da media e um coro de vozes que, na primeira cena em que aprareceram, cantando a morte do rei, chegaram a arrepiar de emocao.
macbeth eh definitivamente a minha favorita de tudo que li de shakespeare ateh hoje; nao foi muito, mas o suficiente para te-la escolhido nao apenas pela historia, mas pelo modo como se desenrolam os fatos; a crueldade de lady macbeth envenenado as ideias de seu marido fraco e ambicioso, as bruxas - protagonistas das melhores cenas - mostrando o futuro atraves de uma bruxaria tipica, que fala a verdade enganando; a fraqueza de macbeth, se deixando levar por essas influencias, o seu tormento, tudo contado com grandiosidade...
e entao, nao posso deixar de pensar: o que nos falta, mais que tudo, nessa nossa vida moderna e veloz, eh essa grandiosidade, uma imponencia que perdemos com o passar dos seculos;
fazemos listas de supermercados e exercemos nossa cidadania apertando botoes de tantos em tantos anos; pagamos as contas e ligamos para o procon; dirigimos pelas ruas com prudencia e reciclamos lixo; acordamos cedo para nao nos atrasar e levamos bronca por outros motivos; chegamos em casa e assistimos teve; qual foi a ultima coisa nobre e grandiosa que voce fez? nos falta uma visao maior; nesses tempos de globalizacao acabamos por nos preocupar muito menos com o mundo e com a historia do que todas essas pequenas coisas que nao terminam nunca de revelar-se no nosso caminho, nao nos deixando margem a pensamentos maiores e libertos desses pequenos nadas que acabam por dominar nosssa existencia;
para onde foi a grandiosidade vivida em outros tempos? o mundo dimunui e perde suas fronteiras e com elas vao-se tambem muitos dos valores prezados para mante-las.
houve um tempo em que guerras eram forjadas por ideiais, em que se matava e morria por amor a patria, por crença em lideres, pelo bem de um povo; defendia-se a casa e a familia; e, acima de tudo, lutava-se pela horna, esse sentimento esquecido que levava homens a procurar mecerer e manter a consideracao de outrem; dignidade, honestidade, brio, decoro eram entao coniderados pundonores de um homem, de uma familia, de uma intituicao, de uma patria.
para onde foi sentimento de grandiosidade, substituido gradual porem inexoravelmente por um individualismo autofagico que soh poderah levar a destruicao do nosso planetinha, coitado, jah tao combalido de todas as formas; por um lado, nao pensar nisso nao vai fazer com que geracoes futuras nao sofram as consequencias, por outro, pensar eh preocupar-se com o que talvez pudsse ser chamado de causa perdida; que forças temos como individuos? qual eh o poder que nos vai fazer mudar o curso inflexivel da historia? como isso, que esteve por vezes na ponta de uma espada, na voz de uma pessoa, nos parece absurdamente distante dos nossos incontaveis botoes que para todo o resto nos servem?
por que estamos assim tao sozinhos e pquenos se somos tantos?